Eventos 3 anos atrás | Redação

Livro “Cururuar” mostra oficinas fotográficas à beira do rio Cururu na Ilha do Marajó

Com produção dividida entre Chaves e São Paulo, o projeto contou com um barco boiadeiro típico da região da Amazônica

por Revista FHOX

cururuar-5Localizado apenas por satélite, o Rio Cururu fica na contra-costa da Ilha do Marajó e foi palco de um projeto de oficinas de fotografia voltado para os habitantes do município de Chaves. O projeto Cururuar Fluvilab foi iniciado em abril de 2016 e virou um livro de memórias que será lançado no próximo dia 19 de novembro em São Paulo e em 3 de dezembro nas vilas ribeirinhas onde as oficinas ocorreram.

Com produção dividida entre Chaves e São Paulo, o projeto contou com um barco boiadeiro típico da região da Amazônica, que teve seu porão transformado em câmera obscura e adaptado para funcionar como laboratório fotográfico. “Fizemos essa adaptação quando ainda estávamos em São Paulo, para poder aproveitar o período de cheia no Marajó”, conta Betânia Barbosa, fotógrafa que desde 2012 sonhava em realizar esse projeto com a comunidade local. O que deveria ser uma série de oficinas pontuais, ganhou o propósito de escoar a autonomia da produção artística para outros cantos do município, incorporando muitos integrantes pelo caminho, construindo com o grupo essa alma capaz de praticar o verbo Cururuar.

cururuar-4Betânia Barbosa

Betânia lembra que para que o coletivo pudesse conviver com os moradores das vilas, foi necessário entender, por exemplo, como os cururuenses se alimentavam e como se deslocavam de acordo com as condições geográficas do lugar, entre outras coisas.

Fitotipo e livro de memórias

Viabilizado pelo edital da 12° Edição do Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais, o projeto Cururu atendeu os participantes das vilas Boa Esperança, São Joaquim, Apaiari, São Benedito e Nedi Barbosa, com atividades propostas a partir de técnicas com caráter intuitivo e sensorial, incorporando elementos presentes no cotidiano do marajoara. Entre elas estiveram: Câmera Obscura, Pinhole, Fitotipo e Fotograma.

cururuar-1Betânia Barbosa

O processo de Fitotipo exigiu a experimentação das plantas locais com o objetivo de identificar aquela que tivesse mais fotossensibilidade para fazer a revelação das fotos, no lugar do papel. A pesquisa, que teve início meses antes da aprovação do projeto pela Funarte, resultou na utilização das folhas das plantas aquáticas Aguapé e Mururé, e da terrestre Sororoca, que se mostraram adequadas com uma exposição entre 6 e 8 horas. Segundo Betânia, a ideia era estimular a percepção visual e favorecer a autonomia da fotografia, num lugar que tem escassez de insumos fotográficos. Ao final do período de oficinas, a população local participou de um Fotovaral, expondo os trabalhos produzidos nas oficinas.

cururuar-3Betânia Barbosa
Rodas de conversa e lançamento do livro de memórias “Cururuar”

As vilas participantes e as escolas do município, também serão contempladas com a distribuição gratuita do livro de memórias, no início de dezembro, que será lançado primeiramente em São Paulo, no dia 19 de novembro, em uma roda de conversa onde serão compartilhadas as experiências geradas, assim como as impressões da cultura marajoara, obtidas durante o período de vivência nas oficinas.

Em São Paulo, o lançamento acontece no dia  19 de novembro, na Rua Aurora, 858 – cj. 11, República, das 16h às 19h. No Município de Chaves acontece em 3 de dezembro nas comunidades Boa Esperança, São Joaquim, Apaiari, São Benedito e Nedi Barbosa.

cururuar-2Betânia Barbosa