Eventos 2 anos atrás | Diogo Amorim

II Valongo Festival Internacional da Imagem ​abre nesta quarta-feira, 4/10

Neste ano, o festival defende o lema: “Aberto para Obras”, numa alusão às avessas ao fechado para reformas que domina o País

por Revista FHOX

 

“Convocamos fotógrafos, filmmakers, ninjas de ofício e todos aqueles que utilizam as imagens técnicas com ousadia e criatividade para aceitar nosso convite de escutar, olhar e registrar o Brasil”, com esse discurso Iatã Cannabrava e Thamyres Matarozzi chamam o público para a segunda edição do Valongo Festival Internacional da Imagem, marcado para 4 a 8 de outubro, em Santos.

Os diretores do festival acreditam que o momento de crise é ideal para propor um processo de radiografia do País como única ferramenta para pensar uma saída. Como fazer isso? “O primeiro passo foi abrir o festival para obras, ouvir e não falar em nome dos outros”, refletem os diretores. Para isso, um ciclo de exposições, oito mesas de debates e ao menos 20 workshops convidam o público a ocupar o Centro Histórico da região portuária de Santos, conhecido como Valongo. “O sentido das obras ganhou tanta força que até o Museu Pelé, fechado para reforma, vai abrir em parte para nos receber”, conta Iatã.

 Exposições

“O projeto de Cristina de Middel e Bruno Morais se atreve a tratar do futuro, de como os excessos e desperdícios do presente determinaram o que está por vir”, diz o curador Horacio Fernández sobre o projeto Excessocenus que a espanhola e seu marido carioca apresentarão. “La Middel traz o mundo em perigo, essa crise não é brasileira, onde o homem irá destruir tudo”, acrescenta Iatã Cannabrava.

Já o trabalho do português Antonio Julio Duarte é uma representação da riqueza chinesa, a partir dos palácios do sexo, dos jogos, do êxito e do dinheiro das grandes cidades.

Contestando tudo isso, Patricia Almeida traz um retrato da indignação tanto na esfera pública quanto privada como um grito de “basta já”. “É a necessidade de mudança de modelo e o compromisso com os protestos tomando forma nos espaços cobertos de mensagens tachadas e sublinhadas”, comenta o curador.

Workshops

20 workshops divididos em imersão (1 dia), workshops (2 a 3 dias) e laboratórios (4 dias) trabalharão com profissionais da fotografia e do vídeo em projetos durante os dias de festival. São 600 vagas disponíveis, com 30% de desconto para quem se inscreveu até 15 de setembro e 50% para os moradores da Baixada Santista, além da política de acesso já iniciada no ano passado, com a possibilidade de bolsa integral mediante apresentação de uma carta de intenção. Nair Benedicto, Ana Lira, Elza Lima, André Penteado, Cao Guimarães, Jack Latham e Eustáquio Neves estão entre os convidados.

Entrevistas

Entre os artistas que comporão mesas de debates e reflexões estão Cao Guimarães, que será entrevistado por João Carlos Guedes da Fonseca; Jonathas de Andrade, por Lilia Swarcz; as curadoras Diane Lima, Galciani Neves e Denise Gadelha, por Ronaldo Entler; e Cristina de Middel e Bruno Morais, por Horacio Fernández.

Convocatórias

Uma seleção de fotolivros e ensaios para uma exposição coletiva, que ficará aberta ao público durante o festival, será feita por meio de duas convocatórias. Para a exposição coletiva, sob o tema “Em Construção”, serão escolhidos 20 autores. “Buscamos trabalhos que reflitam sobre a realidade em que estamos inseridos, das maneiras mais variadas possíveis, para que assim possamos aprofundar a discussão sobre o Brasil que queremos construir”, diz o edital. Já os bonecos de fotolivros serão apresentados durante as projeções noturnas realizadas no festival. Os bonecos terão tema livre e deverão ser apresentados em formato vídeo. Os três melhores serão premiados e uma série de outros bonecos serão selecionados como finalistas e apresentados durante o festival.

 Paralelas

Dando continuidade ao trabalho do ano passado, o Cidade Invertida volta a Santos, assim como a Feira Plana, ainda maior, com mais expositores (30) e espaço para conversas (25 mesas), depois do sucesso na edição que aconteceu em São Paulo, na Bienal, recebendo 20 mil pessoas. Entre as mesas, um coletivo de meninas vai falar sobre a falta de inserção das mulheres em editais. O Instituto Querô também fará uma programação especial para o festival.

 Uma Política para Porto/Cidade

O festival propõe debates direcionados a políticas públicas, em uma programação paralela para discutir questões práticas da cidade. Já estão confirmados: Eduardo Saron, Raul Cristiano e Carlos Carvalho.

Apoio

O festival é parte de um projeto maior do Estúdio Madalena, que conta com o apoio de outros parceiros como a Prefeitura Municipal de Santos, Codesp, Epson,​ Instituto Querô e Mobgraphia, e patrocínios da Unimes, Itaú e Sabesp.

Toda programação acontecerá em no bairro do Valongo em Santos, com entrada gratuita​ (à exceção dos workshops).

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