Cursos e Palestras 2 anos atrás | Regina Sinibaldi

Fotografia feita a mão

Fotógrafo em Itajaí (SC) fala sobre impressões em platina/paládio

por Revista FHOX
Autorretrato de Bittencourt feito com platina

Leonardo Bittencourt dirige o Studio Rittrato onde desenvolve sua fotografia comercial e também autoral. Após vários anos de pesquisa sobre processos alternativos de impressão fotográfica, ele elegeu a platina para dar base a seu trabalho, utilizando papéis Hahnemühle.

Bittencourt fala sobre o seu desenvolvimento na área e aproveita para avisar que próximo 3 de fevereiro promoverá workshop sobre a técnica (mais informações em www.leobittencourt.com.br). Acompanhe a conversa.

 

FHOX – A partir de quando passou a se dedicar à platinotipia?

Bittencourt – A partir de 2013, mas minhas pesquisas sobre o uso dos processos alternativos são anteriores a isso. Sempre busquei alguma forma de conectar o meu trabalho digital ao mundo “analógico”, ao feito a mão. Acredito que a “mão humana” seja o ponto-chave para o reconhecimento artístico. Gosto de pensar que cada impressão é única e é justamente este pensamento que transmito aos clientes.

 

FHOX – Quais as dificuldades iniciais que o senhor encontrou para dominar esse processo?

Bittencourt – A parte técnica aprendi lendo livros importados, onde cada compra demorava semanas para chegar. Então, a falta de conteúdo nacional sobre o assunto foi um grande complicador. Porque não basta saber fazer, você precisa ter alguma referência de qualidade para saber como está indo. Nas primeiras impressões que funcionaram eu ainda não sabia se eram boas ou não, tive que balizar o meu trabalho pela minha própria evolução.

 

FHOX – Por favor, defina de maneira mais simples o que é platinotipia.

Bittencourt – A platinotipia ou impressão com platina/paládio, como prefiro nomear, é uma impressão fotográfica feita pela exposição à luz UV de um negativo em contato com um papel sensibilizado com uma solução de ferro, platina e paládio. Nesta definição já fica claro que o processo ocorre por contato, sem ampliador, e que utiliza platina e paládio no lugar da prata tradicional. As impressões com platina/paládio são famosas pela beleza e pela durabilidade que podem chegar a séculos.

FHOX – O senhor acredita ser tendência a recuperação de processos alternativos da fotografia? Compare esse movimento no Brasil e no mundo.

Bittencourt – Com certeza é uma tendência. Olhando para a América do Norte, Europa e Japão, encontramos cada vez mais fotógrafos se dedicando a esses processos e oferecendo seus trabalhos em edições limitadas, muitas vezes feitas pelo próprio autor. Outros movimentos de mercado também confirmam esta tendência, como o aparecimento de galerias especializadas, exposições coletivas onde são apresentados somente trabalhos nesta linha e grandes players do mercado lançando produtos específicos para este segmento.

FHOX – O senhor tem aplicado a técnica em seus retratos comerciais. Qual é receptividade do público?

Bittencourt – Sim, nos retratos e também no meu trabalho autoral. As pessoas que passam a conhecer se encantam com a visão clássica que o processo proporciona. Sempre digo que tenho a vantagem de ter um produto praticamente exclusivo no Brasil e a desvantagem de que pouca gente o conhece. Por isso entendo que preciso divulgá-lo cada vez mais.

FHOX – Há interesse de outros fotógrafos pelo processo?

Bittencourt – Sim, principalmente em centros como São Paulo, onde a busca pela diferenciação é maior. A maioria dos fotógrafos que vê minhas impressões ficam bastante interessados, elogiam muito, mas em muitos sinto que consideram algo longe de suas realidades.

Já quem topa o desafio de aprender o processo descobre um mundo “novo”, sai do workshop com no mínimo duas impressões feitas por ele mesmo e a certeza de que pode fazer.

FHOX – O senhor ministrará curso sobre o assunto em fevereiro próximo. O que vai abordar?

Bittencourt – O workshop será de um dia no meu estúdio e cada participante realizará duas impressões de uma mesma imagem de sua autoria. O curso começa com um pouco de história, falo sobre o que é necessário de material, sobre como consegui-los e depois é pura prática. Ao final, analisamos os resultados e ainda mostro referências, dou dicas e falo um pouco sobre o mercado. São sempre poucas vagas para poder garantir que todos recebam a atenção necessária para sair com o conhecimento.